Quanto cobra um advogado para fazer inventário e como esse valor é formado
Existem formas de cobrança bem definidas no mercado, e conhecer cada uma permite comparar propostas e negociar com clareza.
Quanto cobra um advogado para fazer inventário é pergunta legítima, e a resposta honesta é que não existe tabela obrigatória. Honorários de advogado são livres e combinados entre as partes, com referências que variam por estado e por complexidade do caso. O que dá para explicar é como esse valor costuma ser formado e o que muda para mais ou para menos.
Isso não significa que o cliente esteja no escuro. Existem formas de cobrança bem definidas no mercado, e conhecer cada uma permite comparar propostas e negociar com clareza.
As formas de cobrança mais comuns
- Percentual sobre o valor do espólio, a modalidade mais usada em inventário. O percentual costuma cair conforme o patrimônio cresce, porque o trabalho não aumenta na mesma proporção do valor.
- Valor fixo, combinado no início, mais frequente em inventários simples, com poucos bens e poucos herdeiros.
- Por fase, com parcelas vinculadas a etapas cumpridas, o que dá previsibilidade em processos longos.
- Por hora, menos comum nesse tipo de causa, mas usada em situações que envolvem muita discussão pontual.
Nenhuma delas é melhor em abstrato. O percentual protege quem tem pouco caixa no início; o valor fixo protege quem tem patrimônio alto e caso simples.
Quando há fazenda ou sítio no espólio, o inventariante precisa do certificado do INCRA em dia, e o roteiro de emissão da segunda via do CCIR evita atraso na partilha.
O que faz o trabalho custar mais
- Número de herdeiros, porque cada um traz documentos, prazos e vontade própria.
- Quantidade e variedade de bens, já que imóvel em outra cidade, participação em empresa e conta em várias instituições multiplicam diligências.
- Situação documental dos imóveis, que é a maior fonte de surpresa. Imóvel sem registro regularizado exige resolver isso antes.
- Existência de conflito, que transforma um procedimento consensual em disputa.
- Via escolhida, entre a escritura em cartório e o processo judicial.
O terceiro item merece destaque. É comum a família descobrir, no inventário, que o imóvel nunca foi registrado no nome do falecido. Antes de partilhar, é preciso regularizar, e isso é um procedimento próprio, com custo próprio, descrito em como se leva um imóvel da escritura ao registro.
O que perguntar antes de contratar
Peça o contrato de honorários por escrito e confira estes pontos:
- O que está incluído e o que será cobrado à parte.
- Se despesas como certidões, emolumentos e imposto estão fora do valor combinado, o que é o usual.
- Como o valor muda se o caso migrar de extrajudicial para judicial.
- Qual a forma de pagamento e se há parcelamento.
- O que acontece em caso de encerramento do contrato antes do fim.
Atenção a uma confusão frequente: honorários do advogado, emolumentos do cartório e imposto estadual são três coisas distintas, cobradas por três destinatários diferentes. Proposta que apresenta um número único sem separar isso dificulta a comparação e costuma gerar discussão depois.
Quando não há como pagar
Quem não tem condições de arcar com honorários e custas pode buscar a Defensoria Pública ou os núcleos de prática jurídica de faculdades de direito, que atendem gratuitamente conforme critérios de renda definidos em cada estado. É o mesmo caminho descrito, para outra matéria, em o atendimento gratuito na Defensoria.
A conta completa do inventário
Os honorários são uma das parcelas, e nem sempre a maior. A composição inteira está em o custo do inventário feito em cartório, e o efeito do valor do patrimônio sobre o total aparece em um exemplo com imóvel de valor definido.
Depois da partilha vem a etapa registral, cujos custos estão em as três cobranças que incidem sobre um imóvel. E quem for representado por terceiro em qualquer ato precisa observar até quando uma procuração produz efeito.
O que o advogado efetivamente faz
Entender o trabalho ajuda a avaliar se a proposta é justa. Em um inventário, o profissional costuma cuidar de:
- Levantar bens, dívidas e herdeiros, e verificar a existência de testamento.
- Definir a via adequada, entre a escritura em cartório e o processo judicial.
- Calcular e acompanhar o recolhimento do imposto estadual, com os prazos que evitam multa.
- Reunir e conferir a documentação, incluindo a situação registral dos imóveis.
- Redigir a minuta da partilha e negociar os pontos entre os herdeiros.
- Acompanhar a lavratura, o registro e as transferências finais.
O terceiro item costuma ser onde o profissional se paga: prazo perdido no imposto gera multa sobre a maior parcela do custo.
Conteúdo informativo, que não substitui a orientação de um advogado.
O que faz o honorário subir
- Número de herdeiros e a facilidade de reuni-los para assinar.
- Quantidade e tipo de bens, porque imóvel em outro estado, empresa e investimento exigem documentação própria.
- Existência de testamento, que muda o rito.
- Conflito entre herdeiros, que empurra o caso para a via judicial.
- Dívidas do falecido, que precisam ser levantadas e tratadas na partilha.
- Documentação incompleta, que transfere para o advogado o trabalho de regularizar.
Os dois últimos são os que mais surpreendem, porque não aparecem na primeira conversa e só se revelam quando o levantamento começa.
Como contratar sem desentendimento
Peça a proposta por escrito, com o escopo do serviço detalhado, a forma de pagamento e o que está fora do combinado. Confirme se as despesas de cartório, certidões e imposto entram por fora, porque quase sempre entram.
Vale ainda perguntar quem conduzirá o caso no dia a dia, quanto tempo o escritório estima e como as informações serão repassadas aos herdeiros. Contrato de honorários é documento, e assinar um evita a discussão mais comum entre cliente e advogado, que é sobre o que estava incluído.
Quem não tem condições de pagar pode procurar a Defensoria Pública do estado, que atende inventário quando há insuficiência de recursos comprovada.
Inventário judicial e extrajudicial mudam o trabalho
O honorário acompanha o rito. No extrajudicial, o advogado prepara a documentação, negocia com os herdeiros e acompanha a lavratura em cartório, num caminho mais curto e previsível. No judicial, entram petições, prazos, manifestações da outra parte e audiências, e o caso pode se estender por anos.
Por isso a mesma família paga valores diferentes conforme o consenso: quando um herdeiro discorda, o inventário sai do cartório e todo o esforço muda de escala. Vale ter essa conversa antes de discutir preço.
Perguntas que revelam a proposta
Antes de fechar, faça quatro perguntas e compare as respostas entre escritórios: o honorário é percentual sobre o patrimônio ou valor fixo? Ele inclui a fase de levantamento de bens e dívidas? Está previsto o que acontece se o inventário virar judicial? Quem paga certidões e deslocamentos?
Proposta que responde as quatro por escrito é comparável. Proposta que só apresenta um número final não é, e a diferença entre elas costuma aparecer meses depois.
Perguntas frequentes sobre honorários no inventário
Existe tabela obrigatória de honorários?
Não. Há tabelas de referência publicadas pelas seccionais da OAB, mas o valor é contratado livremente entre as partes.
O percentual sobre o espólio é padrão?
É a forma mais comum em inventário, e o percentual costuma diminuir conforme o patrimônio aumenta.
Os honorários incluem o imposto e o cartório?
Normalmente não. Imposto estadual, emolumentos e certidões são despesas separadas, pagas a destinatários diferentes.
Posso negociar o valor?
Pode. Peça propostas de mais de um profissional e compare o que cada uma inclui, não apenas o número final.
E se eu não puder pagar?
Procure a Defensoria Pública ou núcleos de prática jurídica de faculdades, que atendem conforme critérios de renda.
Preciso de contrato por escrito?
É altamente recomendável. Ele define escopo, valor, forma de pagamento e o que acontece se o caso mudar de via.


